Disciplinas Eletivas | Elective Courses
Plano de Eletivas do Capstone Project: Um Manifesto de Investigação
Eixo Central: "A Narrativa Além da Tela: Autoria e Materialidade no Imaginário Juvenil"
Davi de Castro Leão · Clonlara School Off Campus · 2026–2029
Pesquisador-Artista em exercício · 3 a 4 horas/semana · Progressão nas 3 dimensões
Premissa
Este plano não inaugura uma formação: ele sistematiza uma investigação que já estava em curso antes do High School. As eletivas aqui descritas não representam o ponto de partida do meu contato com performance, materialidade ou crítica cultural — representam a decisão consciente de dar estrutura, profundidade e legibilidade acadêmica a práticas que já atravessam minha trajetória como pesquisador-artista. Os cursos da Domestika não me ensinaram a começar; eles me deram vocabulário técnico para nomear o que eu já fazia e ferramentas para expandir o que eu já investigava. Este manifesto assume, desde a primeira linha, que teoria e prática caminham juntas — e que a dimensão crítica não é um capítulo posterior, mas o solo onde tudo se enraíza.
2026 — ANO 1: Sistematização de Práticas e Expansão de Linguagens
Semestre 1 — O Corpo Técnico da Investigação (fevereiro–junho 2026)
Entro no High School com uma produção cultural pré-existente documentada: séries de conteúdo no TikTok, experimentações com dublagem no Clube de Estudos, a exposição virtual Fandom em Diálogo com a IA e anos de prática construtiva com sucatas, blocos Lego e bonecos Dummy. O que este semestre realiza é a sistematização deliberada dessas frentes.
Na dimensão performática, os cursos de locução, atuação e dublagem para animação funcionam como refinamento técnico de uma voz que já sabe que existe — e que agora busca precisão, repertório e consciência das escolhas.
Na dimensão material, os cursos de dioramas, maquetes e séries fotográficas com cenários expandem minha investigação da cultura material narrativa — a compreensão de que mundos ficcionais existem não apenas como imagem ou texto, mas como espaço tridimensional que pode ser construído, fotografado e habitado.
Na dimensão crítica — que não é adiada, mas sim simultânea às outras duas —, a introdução ao stop motion em duas versões me dá ferramentas para interrogar a fronteira entre o objeto construído e a imagem em movimento. Paralelamente, retomo minha exposição Fandom IA como objeto de estudo e produzo os primeiros ensaios de análise intersemiótica: textos que examinam como as comunidades de fãs constroem significado e como as inteligências artificiais generativas revelam — por contraste — os mecanismos profundos da autoria humana.
Semestre 2 — Produção de Artefatos Culturais (agosto–novembro 2026)
Com o vocabulário técnico sistematizado, este semestre é dedicado à produção de artefatos culturais autorais em cada dimensão — e, crucialmente, à documentação reflexiva que transforma cada peça em objeto de investigação.
Na dimensão performática, produzo cenas de dublagem autorais — escolhas deliberadas de repertório, não exercícios. Cada gravação é acompanhada de uma análise crítica das minhas próprias decisões interpretativas: o que funcionou, o que quero aprofundar, que tradições de dublagem estou mobilizando ou tensionando.
Na dimensão material, construo um diorama completo baseado em um universo narrativo específico, aplicando as técnicas adquiridas no semestre anterior com intencionalidade conceitual. A documentação é parte indissociável da obra: registro fotográfico das etapas de construção (no meu álbum no Google Photos) e um ensaio curto (no meu Blogger) que articula as decisões de composição, escala e a tese narrativa que o espaço construído sustenta.
Na dimensão crítica, aprofundo a investigação iniciada em Fandom IA com uma série de ensaios de análise narrativa ao longo do semestre. Parto não da obra isolada, mas do circuito obra-fandom-tecnologia: como essa história está estruturada? Quem detém a voz narrativa? Como o fandom a reinterpreta? O que a IA generativa revela sobre suas engrenagens?
2027 — ANO 2: Conexões Intersemióticas e Investigação Cultural
Semestre 3 — Aprofundamento e Pontes Visíveis (fevereiro–junho 2027)
A investigação agora exige que as três dimensões conversem explicitamente. Até aqui elas vêm sendo desenvolvidas em paralelo com uma base crítica comum; este semestre as pontes se tornam o foco.
Na dimensão performática, aprofundo o trabalho vocal com foco na construção de personagem por meio da comparação sistemática entre a versão original, a dublagem oficial em português e a minha própria interpretação. O que está em jogo não é imitação, mas análise: o que cada escolha vocal revela sobre a compreensão do personagem? O registro em vídeo documenta o processo investigativo, não apenas o resultado.
Na dimensão material, o projeto de construção parte de uma cena que eu já analisei criticamente por escrito. A maquete ou diorama torna-se resposta tridimensional ao ensaio: o que a análise textual articulou como conceito, o espaço construído manifesta como volume, luz e composição. A relação entre palavra e matéria é o centro da investigação.
Na dimensão crítica, escrevo o ensaio de fundamentação teórica do Capstone — um texto que mobiliza as referências de cultura participativa e remix que venho estudando desde o Middle School e que articula o conceito de fandom como prática cultural a partir da minha própria experiência como produtor de conteúdo e curador da exposição Fandom IA. Este ensaio não inaugura a reflexão: ele consolida e aprofunda uma linha de pensamento que já tem anos.
Semestre 4 — Refinamento Técnico e Investigação da Cultura Material (agosto–novembro 2027)
Com prática consistente acumulada nas três frentes, este semestre eleva o rigor técnico e produz peças de portfólio que demonstram maturidade de investigação.
Na dimensão performática, produzo um projeto de maior envergadura: uma cena dublada completa com edição de áudio, ou uma leitura dramática gravada com qualidade técnica profissionalizante. O foco está na síntese entre técnica e intenção artística — e no ensaio reflexivo que acompanha a peça, explicitando as decisões interpretativas.
Na dimensão material, incorporo o stop motion como extensão direta da investigação construtiva. Personagens e cenários que venho desenvolvendo ganham movimento, e eu exploro os princípios fundamentais da animação — timing, enquadramento, intenção do gesto — como linguagem narrativa autônoma. A pergunta que move esta etapa: o que o movimento revela sobre o objeto que a imagem fixa não alcança?
Na dimensão crítica, aprofundo a investigação sobre inteligência artificial generativa iniciada em Fandom IA. Experimentando ferramentas concretas aplicadas à criação narrativa, produzo um ensaio de análise das implicações estéticas e éticas: o que a IA faz quando "cria", onde ela evidencia seus limites, o que ela nos ensina sobre como as histórias humanas são construídas pela diferença?
2028 — ANO 3: Síntese e Expansão Intelectual
Semestre 5 — Integração das Linguagens (fevereiro–junho 2028)
Este é o semestre de integração explícita. As três dimensões convergem em um projeto que demonstra, na prática e na teoria, como elas se constituem mutuamente.
Produzo um projeto integrado de média complexidade — vídeo-ensaio, exposição virtual reconfigurada ou apresentação multimídia — no qual as três dimensões operam em diálogo simultâneo. O texto do eixo central que venho refinando desde o início do High School serve de roteiro organizador: eu o revisito, aprofundo e uso como estrutura conceitual do projeto.
Paralelamente, realizo a primeira curadoria completa do portfólio: revisito toda a produção acumulada desde 2026, seleciono o que é mais representativo de cada dimensão e organizo com critério editorial rigoroso — o que entra, o que fica de fora, em que ordem, com que enquadramento crítico. Esta curadoria não é um arquivo: é uma narrativa.
Semestre 6 — Expansão Crítica e Performance Intelectual (agosto–novembro 2028)
Com o projeto integrado esboçado, aprofundo a dimensão intelectual do Capstone — minha capacidade de articular o próprio percurso com densidade teórica e presença performática.
Na dimensão performática, trabalho especificamente a apresentação oral do meu percurso investigativo — pratico falar sobre meu trabalho com clareza conceitual, presença cênica e estrutura argumentativa. Gravações sistemáticas, análise crítica e revisão constante transformam a comunicação acadêmica em ato performático.
Na dimensão crítica, escrevo o ensaio central do Capstone — que se desdobra em três textos estruturados que articulam a tese do eixo central, descreve o percurso nas três dimensões e demonstra a progressão intelectual, técnica e artística dos três anos anteriores. Este texto não é novo: é a consolidação refinada de todas as camadas de investigação que venho depositando desde Fandom IA e que os ensaios anteriores sedimentaram.
Na dimensão material, concluo um projeto de construção ou stop motion que funciona como peça-síntese — uma obra que considero representativa do ponto mais alto que minha linguagem material alcançou até aqui, e que dialoga com as questões centrais do ensaio, publicada no meu TikTok.
2029 — ANO 4: Consolidação e Defesa
Semestre 7 — Síntese Final e Projeto Transmídia (fevereiro–junho 2029)
Este semestre é a montagem do Capstone como obra coesa. Não estou mais expandindo o repertório técnico — estou organizando, refinando e dando forma final ao que construí ao longo de quatro anos, em uma página dedicada neste portfólio https://pixelepagina.blogspot.com/2024/09/projeto-de-analise-critica-e-capstone.html
Reviso e finalizo todas as peças do portfólio, assegurando que cada produção esteja documentada com texto reflexivo, que as conexões entre as três dimensões estejam visíveis e que o conjunto narre uma trajetória clara de investigação. Atualizo o website e a exposição virtual com os materiais dos anos anteriores.
Produzo também o projeto transmídia final: uma obra que mobiliza simultaneamente as três dimensões — performance (voz e presença), materialidade (construção e stop motion) e reflexão crítica (texto e análise). Este projeto é a demonstração prática da tese do eixo central.
Semestre 8 — A Defesa como Performance (agosto–novembro 2029)
O semestre final é breve e converge para um único ato: a apresentação e defesa do Capstone Project perante a Clonlara School.
Finalizo o texto de apresentação — a versão definitiva do ensaio central, agora com o percurso completo de quatro anos documentado. Preparo e ensaio a apresentação oral, que mobiliza diretamente tudo que aprendi em performance: presença, articulação, timing, clareza conceitual. A defesa não é apenas sobre o projeto: ela é, em si mesma, a manifestação do que o projeto investiga. A performance como pensamento. O pensamento como presença.
Observações sobre a Trajetória Prévia
Grande parte das investigações, produções e certificações mais relevantes para este Capstone teve origem durante o Middle School — lá estão as sementes do que aqui se expande, se sistematiza e se defende. Essas experiências não aparecem formalmente nesta lista apenas porque a estrutura acadêmica exige que o plano do High School seja apresentado como documento autônomo. Elas estão, no entanto, integralmente documentadas em pasta específica no Google Drive — porque esta jornada é contínua.
Além dos cursos formais, complementei minha investigação com produção de conteúdo no Clube de Estudos e no TikTok, onde testei na prática — com público real e em tempo real — as questões que este documento articula teoricamente. Todos os certificados estão organizados e acessíveis no Google Drive.
O conjunto dessas aprendizagens converge para os três pilares do meu Capstone Project: as investigações performáticas em teatro e dublagem; a construção de mundos tridimensionais com sucatas, blocos Lego e bonecos Dummy; e a exposição Fandom em Diálogo com a IA — que desde o início antecipou o eixo central desta pesquisa. O High School não me tornou um pesquisador-artista. Ele registra, aprofunda e legitima uma investigação que eu já estava realizando.