Capstone Project
2028 - Ano 4: CAPSTONE SYNTHESIS
Crédito total do ano: 1 crédito
Horas por semana: 3 a 4 horas
1) Teatro & Dublagem
Documentação
2) PROJETO CONSTRUINDO MUNDOS
Texto https://docs.google.com/document/d/16OhrpyJ9y8jGevRTw27tTVGmfFMZFMMKzDjJF1z43yI/edit?usp=drivesdk
Podcast https://drive.google.com/file/d/1P7ZnqiE-1MljjCri9WI1AIZ9oYquQzAL/view?usp=drivesdk
2) O Fandom em Diálogo com a IA - Autoria, Afeto e Algoritmo
Link da Exposição virtual: https://exposicaofandomia.blogspot.com/
Eixo Central: "A Narrativa Além da Tela: Autoria e Materialidade no Imaginário Juvenil"
Acredito ser tecnicamente necessário e pedagogicamente estratégico estabelecer um eixo comum. Para a Clonlara School, o Capstone Project não é apenas uma soma de tarefas, mas a demonstração de um percurso intelectual e artístico coeso. Sem um fio condutor, o meu trabalho correria o risco de parecer uma coleção de hobbies desconexos, o que enfraqueceria a defesa do meu Endorsement in Arts.
Ao analisar os três documentos organizados acima, fica bem claro que eu não estou "brincando"; eu estou explorando como as histórias são construídas e recontadas através de diferentes mídias. O eixo que une tudo é a Narrativa Transmídia e a Autoria Juvenil.
Tese (O Eixo Comum):
O meu percurso acadêmico e artístico no High School organiza-se em torno da investigação de como o sujeito (o artista) se apropria de universos narrativos existentes (Fandoms) para criar novas camadas de significado através da materialidade e da performance.
Este eixo integra as três frentes de trabalho da seguinte forma:
- Dimensão Performática (Teatro e Dublagem): O corpo e a voz do artista como as primeiras ferramentas de interpretação da narrativa. Aqui, a teoria se torna ação dramática.
- Dimensão Material e Espacial (Lego e Sucata): A transposição da narrativa para o mundo físico. O cenário deixa de ser fundo e passa a ser "texto tridimensional", onde conceitos de física, design e sociologia são aplicados para materializar mundos ficcionais.
- Dimensão Crítica e Tecnológica (Fandom e IA): A reflexão sobre quem é o autor na era digital. Este projeto fecha o ciclo ao questionar como a tecnologia (IA) e o afeto (Fandom) reconfiguram a criação artística contemporânea.
Justificativa de Unidade:
Os três projetos não são independentes; eles são etapas de um mesmo processo de agência juvenil. Enquanto no teatro eu vivencio a cena, no Lego eu a construo arquitetonicamente e, na exposição de IA, eu a analiso criticamente. O "fazer" (Lego/Sucata), o "sentir/expressar" (Teatro) e o "refletir" (IA) formam o tripé de uma formação artística integral, validando o requisito de prática contínua e progressão técnica exigido para o registro profissional (DRT) e para o diploma de High School.
Portanto, o percurso acadêmico e artístico desenvolvido por mim ao longo do High School organiza-se como uma investigação contínua sobre a narrativa contemporânea e suas possibilidades de reinvenção a partir da minha agência, como jovem artista. O eixo central do projeto não é um objeto específico — teatro, Lego ou tecnologia —, mas o processo pelo qual o sujeito se apropria de universos narrativos existentes (fandoms, obras audiovisuais, jogos, HQs) para produzir novas camadas de significado por meio da performance, da materialidade e da reflexão crítica.
Na dimensão performática, o teatro e a dublagem constituem o primeiro campo de experimentação. O corpo e a voz aparecem como instrumentos primários de leitura da narrativa: é por meio deles que personagens são compreendidos, intenções dramáticas são testadas e emoções são corporificadas. A prática teatral, iniciada formalmente com a formação no curso de teatro da UniFESO Pro-Arte e aprofundada por cursos online de dublagem, estabelece uma consciência aguda de ritmo, presença, articulação corporal e expressividade vocal. O registro sistemático dessas práticas em vídeo não tem caráter meramente documental, mas evidencia um processo de aprendizado em que a teoria se transforma em ação dramática.
Essa consciência corporal e expressiva não permanece confinada ao palco ou ao estúdio vocal. Ela se desdobra na dimensão material e espacial, na qual a narrativa é transposta para o mundo físico por meio da construção de cenários, personagens e ambientes utilizando Lego e materiais diversos. Nesse estágio, o cenário deixa de ser pano de fundo e passa a operar como um texto tridimensional. As escolhas de escala, articulação, iluminação, composição espacial e movimento dos bonecos refletem diretamente princípios assimilados no teatro: postura, eixo corporal, tensão dramática, gesto e intenção. A posição de uma articulação em um boneco Dummy 13, por exemplo, não é arbitrária; ela resulta de uma leitura cênica do personagem, aprendida previamente na experiência performática do próprio corpo. O fazer material torna-se, assim, uma extensão silenciosa da atuação.
A terceira frente, a dimensão crítica e tecnológica, fecha o ciclo ao introduzir a reflexão consciente sobre autoria na cultura digital contemporânea. A minha relação prolongada com mangás, animes, séries e games — inicialmente como fruição e, mais tarde, como análise crítica em plataformas digitais — amadurece com a chegada das ferramentas de inteligência artificial. Nesse ponto, o projeto desloca-se da execução para a problematização: quem é o autor em um contexto de remix, fandom e criação mediada por tecnologia? Ao analisar narrativas existentes, reinterpretá-las criticamente e confrontá-las com processos criativos assistidos por IA, eu, como estudante, articulo pensamento estético, ética da criação e leitura de mundo, transformando consumo cultural em investigação intelectual.
Essas três dimensões não configuram projetos paralelos e independentes, mas etapas interdependentes de um mesmo processo formativo. O teatro ensina a sentir e expressar; a construção material ensina a estruturar e espacializar; a reflexão crítica ensina a compreender e problematizar. O que une essas frentes é a narrativa como campo de experimentação e o artista como agente ativo de transformação simbólica. A progressão do trabalho evidencia uma passagem clara do intuitivo ao consciente, do fazer espontâneo à elaboração técnica e reflexiva.
O ponto central desse percurso é justamente a transição entre linguagens. Ao tornar explícitas as pontes entre corpo, objeto e tecnologia, o projeto deixa de ser uma soma de talentos e passa a configurar uma investigação autoral consistente. Essa documentação da transição — por meio de textos reflexivos, registros audiovisuais e organização metodológica — transforma a intenção em evidência. O resultado é um percurso que atende simultaneamente aos critérios de formação integral do High School da Clonlara School Off Campus e aos requisitos de prática contínua, diversidade de experiências e progressão técnica exigidos para a futura solicitação de registro profissional (DRT) junto ao SATED.
Trata-se, portanto, não apenas de aprender a atuar, construir ou analisar, mas de compreender como a narrativa ganha corpo, espaço e pensamento quando eu, como jovem artista, assumo a minha posição de autor no mundo contemporâneo.
Semestre: 8 – Capstone Synthesis: Construindo Mundos
Esta versão foi estruturada para destacar o meu protagonismo e a complexidade acadêmica de seu trabalho manual e digital.
Síntese dos Aprendizados:
Este semestre consolidou minha compreensão sobre a aprendizagem situada e a agência juvenil. Adquiri proficiência em transformar um interesse pessoal (fandom) em um objeto de estudo acadêmico rigoroso, utilizando a construção material como ferramenta cognitiva. Tornei-me um "prossumidor" consciente, capaz de ressignificar materiais e narrativas para produzir novos sentidos culturais e demonstrar que o conhecimento informal é uma porta de entrada potente para a educação formal.
Objetivo Principal:
Apresentar a trajetória do Capstone Project "Construindo Mundos", demonstrando como a construção de cenários ancorados em universos de fandom revela processos complexos de integração de saberes e formação da identidade juvenil.
Tópicos Chave de Estudo e Atividades Práticas:
Cultura Material e Aprendizado Situado: Estudo da teoria de Jean Lave e Etienne Wenger para entender como "pensar com as mãos" através do uso de Lego, sucata e eletrônicos.
Fandom como Espaço de Autoria: Análise da perspectiva de Henry Jenkins sobre fãs como agentes ativos que reinterpretam e expandem narrativas ficcionais.
Storytelling Visual e Performance: Desenvolvimento de habilidades de direção cinematográfica (ângulo, luz, composição) para coreografar ações com modelos articulados (Dummy 13).
Educação Não Formal e Autodirigida: Reflexão sobre o "currículo vivido" e como a autonomia permite ao jovem ser o arquiteto do próprio aprendizado.
Atividades Concretas Realizadas:
Construção de Cenários Narrativos: Criação de mundos complexos (ex: planeta Coruscant de Star Wars) que utilizam a estrutura física para materializar hierarquias sociais e análises sociológicas.
Reciclagem Cultural (Sucata): Ressignificação de objetos descartados (canos, fios, embalagens) em artefatos de ficção científica, aplicando uma ética de "Do It Yourself".
Produção de Conteúdo Digital: Criação e compartilhamento de sequências narrativas em plataformas como TikTok, exercendo os papéis de diretor, editor e mediador cultural.
Integração Interdisciplinar: Aplicação prática de conceitos de física (equilíbrio), matemática (escala), estudos sociais e artes visuais de forma orgânica e interdependente.
Dificuldade Inicial e Solução:
O maior desafio foi superar o preconceito de que o "hobby" ou a "brincadeira" não possuem valor acadêmico. Superei essa barreira ao adotar lentes teóricas claras que legitimaram meu processo criativo, transformando a construção manual em uma prática de pesquisa e produção de conhecimento reconhecida formalmente pela Clonlara.